O governo dos Estados Unidos confirmou a imposição de novas tarifas sobre veículos e autopeças importados, em uma medida que reforça a política protecionista do presidente Donald Trump. A partir de 3 de abril, carros estrangeiros terão uma taxa de 25% para entrar no mercado americano, ante os atuais 2,5%. Já as autopeças serão taxadas a partir de 3 de maio, o que pode afetar diretamente as exportações brasileiras.
O anúncio oficial foi feito nesta quarta-feira, encerrando especulações sobre possíveis negociações. A Casa Branca deixou claro que não haverá flexibilização, gerando preocupação entre montadoras e analistas, que alertam para o aumento nos preços dos veículos.
O México, maior fornecedor de carros aos EUA, seguido por Coreia do Sul, Japão, Canadá e Alemanha, será um dos mais impactados. Nos últimos anos, muitas fabricantes americanas transferiram parte da produção para território mexicano e canadense devido a acordos de livre comércio. A notícia já refletiu no mercado: as ações da General Motors caíram 3% nesta quarta.
Um relatório do Departamento de Comércio americano apontou que a participação dos EUA na produção global de automóveis caiu de 26% em 1985 para apenas 12% em 2017. A Casa Branca classificou a situação como uma “ameaça à segurança nacional”, justificando as medidas.
Enquanto isso, a China consolidou-se como o maior exportador de carros do mundo em 2023. No ano passado, o mercado chinês movimentou 22 milhões de unidades, contra 15 milhões vendidos nos EUA.
Impacto no Brasil
O Brasil pode sentir os efeitos da medida, principalmente no setor de autopeças. Em 2024, o país exportou US$ 1,3 bilhão em componentes automotivos para os EUA, o que representa 17% do total vendido ao exterior. Com as novas tarifas, esse fluxo pode ser prejudicado, afetando um dos principais destinos da indústria brasileira.
A decisão de Trump reforça sua postura de priorizar a produção doméstica, mas também acende o alerta para possíveis retaliações e impactos na economia global.