Trabalhador estava preso a equipamento de segurança quando estrutura caiu no Rio Paraíba; dois outros operários foram resgatados
O que começou como um acidente com um trabalhador desaparecido terminou, nesta segunda-feira (21), com a confirmação de uma morte nas obras da Ponte do Futuro, em Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa.
O Consórcio Jampa, responsável pela execução da obra, confirmou no início da tarde a morte do trabalhador que havia caído no Rio Paraíba após o desprendimento de uma estrutura durante os serviços.
Segundo a empresa, houve a ruptura de uma estrutura provisória de apoio, denominada treliça, utilizada na fase de lançamento da ponte pelo método de balanço sucessivo. O consórcio afirma que a estrutura definitiva da ponte não sofreu colapso, queda ou dano estrutural.
O trabalhador estava preso a um cinto de segurança ligado à estrutura quando ocorreu o acidente. Outros dois operários também caíram na água, mas conseguiram ser resgatados e foram encaminhados para atendimento médico.
A morte muda o tamanho da tragédia
Até o início da tarde, o principal drama da ocorrência era a busca pelo trabalhador desaparecido.
Agora, a situação é oficialmente tratada como acidente fatal de trabalho.
O corpo foi localizado por volta das 15h30, segundo informações divulgadas após as buscas realizadas pelas equipes de resgate.
A prioridade das equipes, portanto, deixa de ser a localização do trabalhador e passa a incluir a preservação do local, o levantamento das circunstâncias do acidente e a investigação sobre o que provocou a ruptura da estrutura.
Governo falou em “fôrma metálica”; empresa fala em “treliça”
Um dos pontos que merece atenção na apuração é a diferença na descrição da estrutura envolvida.
Logo após o acidente, o Governo da Paraíba passou a informar que uma “fôrma metálica” utilizada pela empresa na montagem da obra havia se desprendido. Essa foi também a expressão utilizada pelo governador Lucas Ribeiro e pelo secretário de Infraestrutura, Jovânio Silva, nas primeiras manifestações oficiais.
Agora, na nota divulgada pelo Consórcio Jampa, a estrutura é identificada como uma “estrutura de apoio provisória (treliça)”, utilizada durante o lançamento do trecho em balanço sucessivo.
A diferença de nomenclatura merece ser registrada, mas não permite, por si só, concluir que houve tentativa de minimizar o acidente.
O que se sabe neste momento é que ainda não existe uma conclusão técnica independente sobre a causa da ruptura.
E esse é justamente o ponto central da investigação.
O que provocou a ruptura?
O próprio consórcio informou que já iniciou uma apuração técnica para identificar as causas do ocorrido e que está colaborando com os órgãos competentes.
Isso significa que perguntas fundamentais ainda permanecem sem resposta.
Por que a estrutura se rompeu?
Houve falha mecânica?
Problema de montagem?
Falha em algum componente?
Erro de procedimento?
As condições de segurança estavam adequadas?
Ou ocorreu algum outro fator que ainda não foi identificado?
Neste momento, não há elementos técnicos suficientes para responder a essas perguntas.
O Governo também havia informado anteriormente que as causas do desprendimento deveriam ser periciadas e apuradas pelas autoridades.
A estrutura definitiva da ponte caiu?
Não.
Esse ponto foi enfatizado tanto pelo Governo quanto pelo Consórcio Jampa.
Segundo as informações oficiais disponíveis, não houve colapso da estrutura definitiva da Ponte do Futuro. O acidente envolveu uma estrutura utilizada durante o processo construtivo.
Mas isso não diminui a gravidade do que aconteceu.
Uma estrutura utilizada na execução da obra se rompeu enquanto trabalhadores estavam sobre ela, três operários caíram no Rio Paraíba e um deles morreu.
É justamente por isso que a investigação técnica será fundamental.
A obra agora entra em uma nova etapa
A Ponte do Futuro integra o complexo rodoviário projetado para conectar Cabedelo, Santa Rita e Lucena, criando uma nova ligação viária na Região Metropolitana de João Pessoa.
O contrato para execução do projeto foi assinado em agosto de 2024. A obra envolve duas pontes e outros equipamentos viários.
O acidente desta segunda-feira acrescenta agora uma questão que vai muito além do cronograma ou da importância estratégica da obra:
como uma estrutura utilizada durante a construção se rompeu e provocou a morte de um trabalhador?
Essa resposta não deve vir de nota política, nem de avaliação preliminar.
Deve vir da perícia, da investigação e dos documentos técnicos da obra.
Enquanto isso, fica o fato mais grave desta segunda-feira:
um trabalhador perdeu a vida enquanto trabalhava na construção da Ponte do Futuro.
E é esse fato que precisa estar no centro da apuração.




























