Candidato anuncia sala de situação de crise, promete integração das forças policiais e melhor salário do Nordeste para policiais
A duas semanas do primeiro turno, Cícero Lucena (MDB) colocou a segurança pública no centro de sua campanha ao Governo da Paraíba.
Em pronunciamento divulgado nesta segunda-feira (21), o candidato afirmou que a Paraíba está “sem governador”, citou três casos de decapitação registrados na Grande João Pessoa e anunciou que, caso seja eleito, pretende instalar imediatamente uma sala de situação de crise ligada diretamente ao gabinete do governador.
A proposta, segundo Cícero, seria reunir a cúpula da segurança e integrar as forças policiais sob um comando baseado em inteligência, planejamento e atuação conjunta. Ele também voltou a defender a valorização salarial dos policiais, prometendo pagar “o melhor salário do Nordeste” à categoria.
O anúncio veio cercado de expectativa
A forma como o pronunciamento foi apresentado também chamou atenção.
Na noite anterior, a equipe de Cícero anunciou que o candidato iria “suspender a campanha” para “abrir o coração ao povo paraibano”.
A expectativa criada nas redes sociais era de que ele apresentaria uma manifestação de maior impacto sobre a eleição. O conteúdo divulgado nesta segunda-feira, porém, foi uma peça de campanha centrada em segurança pública e em propostas para o setor.
O movimento ocorre justamente depois de uma semana em que a segurança passou a ocupar espaço relevante no debate eleitoral.
O episódio das “operaçõeszinhas” voltou para o debate
Na semana passada, Cícero havia criticado operações realizadas pelo Estado contra organizações criminosas, classificando-as como “operaçõeszinhas”.
A declaração provocou reação do governador Lucas Ribeiro (PP), que respondeu dizendo que as forças de segurança da Paraíba estavam “prendendo os amigos dele”.
O secretário de Segurança Pública, Jean Nunes, também criticou as declarações do candidato e fez acusações relacionadas a supostas relações de grupos políticos com integrantes do crime organizado. Essas acusações foram apresentadas pelo secretário como fatos documentados pela Polícia Federal, mas fazem parte do embate político entre o governo e o candidato e não devem ser tratadas como conclusão independente sobre Cícero.
Agora, poucos dias depois, Cícero volta ao tema da segurança não apenas para criticar a atual gestão, mas para apresentar uma estrutura específica de resposta caso assuma o governo.
Uma proposta nova em relação ao plano de governo
Há um detalhe importante.
O Gabinete de Crise para a Segurança Pública não constava do plano de governo entregue anteriormente por Cícero à Justiça Eleitoral, segundo o Jornal da Paraíba.
A proposta apresentada agora prevê uma estrutura diretamente vinculada ao gabinete do governador, com convocação da cúpula da segurança e integração das forças policiais.
Isso dá ao pronunciamento um componente adicional: trata-se de uma promessa incorporada à campanha já em sua reta final, a partir de um tema que ganhou visibilidade nos últimos dias.
“Quem governa tem que governar”
Além de apresentar as medidas, Cícero direcionou parte significativa do pronunciamento ao atual governador.
O candidato cobrou que Lucas Ribeiro assuma responsabilidade pela segurança, criticou o que chamou de propaganda do governo e voltou a cobrar a participação do governador nos debates eleitorais.
A mensagem, portanto, teve dois componentes claros: apresentação de uma proposta para a segurança e ataque direto à condução da atual gestão.
O que há por trás do movimento?
O fato objetivo é que segurança pública ganhou centralidade na comunicação de Cícero nesta reta final.
O candidato vinha tratando do assunto antes do pronunciamento, mas a sequência dos acontecimentos elevou o peso do tema: primeiro, as críticas às operações policiais; depois, a reação do governo; agora, um pronunciamento específico acompanhado de uma promessa de criação de uma estrutura de crise.
A campanha, portanto, passou a apresentar Cícero também como alguém que pretende assumir pessoalmente o comando da política de segurança caso seja eleito.
É uma mudança relevante no discurso porque tira a segurança do campo genérico das promessas e coloca sobre a mesa uma proposta institucional concreta: uma estrutura diretamente ligada ao governador para coordenar a resposta à criminalidade.
A duas semanas da eleição, o tema agora está oficialmente incorporado ao confronto eleitoral.
E a pergunta que fica para a campanha é simples: a discussão sobre segurança ficará restrita ao embate entre Cícero e Lucas Ribeiro ou será capaz de se transformar em um dos principais critérios de escolha do eleitor para o Governo da Paraíba?
A resposta virá das próximas semanas — e, principalmente, da capacidade dos candidatos de transformar o debate sobre violência em propostas concretas, números e resultados apresentados ao eleitor.




























