A eleição de 2026 estava caminhando para uma disputa conhecida.
De um lado, Lula.
Do outro, a oposição tentando transformar a eleição em um julgamento do governo.
Mas havia uma estratégia muito clara no campo governista:
colocar a corrupção no colo da oposição.
Até que a Polícia Federal colocou novamente o tema no colo do próprio governo.
As novas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, trouxeram acusações graves.
Segundo a PF, Lulinha mantinha uma “comunhão de interesses econômicos” com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar, numa estrutura informal que teria atuado para viabilizar negócios relacionados ao fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.
É importante fazer uma distinção:
investigação não é condenação.
As suspeitas ainda estão sendo apuradas.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que o caso é marcado por vazamentos de informações e motivação política.
Mas, eleitoralmente, existe um problema que independe do resultado final da investigação.
A palavra corrupção voltou para a campanha de Lula.
E isso acontece justamente quando o PT pretendia utilizar denúncias contra adversários como uma das armas da disputa.
A política é cruel nesse aspecto.
Você pode escolher o assunto que quer discutir.
Mas não pode escolher o assunto que o eleitor vai discutir.
E quando aparece uma investigação envolvendo o filho do presidente, com menções a contratos públicos, lobby, influência política e interesses econômicos, a oposição ganha uma oportunidade que talvez nem estivesse procurando naquele momento.
Não significa que Lula seja responsável pelos atos atribuídos ao filho.
Nem que as acusações estejam comprovadas.
Mas significa que Lula terá que responder politicamente a uma pergunta inevitável:
o que ele sabia, quando soube e qual é a sua posição diante das suspeitas?
O próprio Lula já afirmou que o filho precisa se explicar e que não pretende interferir nas investigações.
E existe ainda um detalhe que torna tudo mais delicado:
estamos em ano eleitoral.
Segundo informações publicadas nesta semana, pesquisas internas do PT já teriam registrado redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, enquanto pesquisas qualitativas passaram a identificar eleitores discutindo o caso Lulinha.
É cedo para dizer que isso vai mudar uma eleição.
Mas é tarde demais para dizer que isso não importa.
Porque eleição não é apenas sobre aquilo que aconteceu.
É também sobre a história que o eleitor passa a contar sobre cada candidato.
E, se a história de 2026 voltar a ser:
“Corrupção de um lado contra corrupção do outro”,
o discurso de quem pretendia monopolizar esse tema pode perder força.
No fim, talvez essa seja a maior consequência política do caso Lulinha:
não é apenas uma investigação sobre um filho de presidente.
É uma disputa pelo controle da narrativa sobre corrupção justamente no momento em que o Brasil começa a decidir quem vai governá-lo pelos próximos quatro anos.
E aí fica a pergunta:
quem consegue convencer o eleitor de que o problema está sempre do outro lado?





























