Quando se fala em cachaça, muita gente pensa apenas em bebida.
Mas Areia mostra que pode ser muito mais do que isso.
A “Areia Mostra Cachaça”, realizada na UFPB, reúne produtores, autoridades, cultura, literatura e turismo em torno de um produto que já faz parte da identidade da cidade e da história da Paraíba.
E talvez esteja aí a grande oportunidade.
A Paraíba não precisa inventar uma identidade turística.
Ela já existe.
Está no litoral, mas também está no Brejo.
Está nas praias, mas também está nos engenhos.
Está no forró, na gastronomia, na literatura, na arquitetura, na produção rural e, claro, na cachaça.
O problema é que muitas vezes temos produtos extraordinários, mas não conseguimos transformá-los em experiências econômicas organizadas.
Areia pode ser um exemplo disso.
Imagine um turista que não venha à Paraíba apenas para conhecer João Pessoa.
Ele pode conhecer os engenhos, experimentar a cachaça, conhecer a história da produção, comer a gastronomia regional, dormir no Brejo, visitar os casarões históricos e participar de eventos culturais.
Isso gera dinheiro.
Gera empregos.
Fortalece pequenos produtores.
Movimenta restaurantes, hotéis, guias, transportes e comércio.
E, principalmente, faz o turista permanecer mais tempo no Estado.
A cachaça, nesse contexto, deixa de ser apenas um produto.
Ela vira patrimônio, marca e experiência.
E talvez essa seja uma das grandes discussões que a Paraíba precisa fazer:
Por que alguns estados conseguem transformar sua cultura em uma poderosa indústria do turismo enquanto nós ainda exploramos tão pouco aquilo que já temos?
Areia mostra que existe um caminho.
Não é abandonar o turismo de sol e mar.
É entender que a Paraíba pode oferecer muito mais.
Porque o turista que chega pela praia pode descobrir o Brejo.
E quem chega ao Brejo pode descobrir uma Paraíba que talvez ainda seja desconhecida até para muitos paraibanos.
A nossa cultura pode ser entretenimento.
Pode ser turismo.
Pode ser negócio.
E pode ser desenvolvimento.
A cachaça de Areia é apenas um dos exemplos.
A pergunta é:
quantos outros produtos e histórias da Paraíba ainda estão esperando alguém transformar identidade em oportunidade?




























