A campanha presidencial de 2026 começou oficialmente neste domingo (16), e os dois principais nomes da disputa escolheram seus próprios redutos políticos para dar a largada.
De um lado, Lula (PT) voltou a São Bernardo do Campo, cidade que está diretamente ligada à sua trajetória política. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL) escolheu Copacabana, no Rio de Janeiro, um dos principais palcos do bolsonarismo.
Mais do que a escolha dos locais, os primeiros atos revelaram a estratégia de comunicação de cada candidatura.
Lula decidiu explorar memória, trajetória e emoção. Em São Bernardo, o presidente recuperou elementos de sua história pessoal e política, falou da mãe, dona Lindu, relembrou momentos marcantes de sua trajetória sindical e buscou apresentar a candidatura como continuidade de uma história construída ao longo de décadas.
O petista também ampliou o espaço dedicado às mulheres e aos jovens e voltou a temas nacionais, como soberania e segurança pública.
Flávio fez movimento diferente. Em Copacabana, a campanha apostou fortemente na identidade bolsonarista, na segurança pública e na associação com o legado de Jair Bolsonaro.
A escolha do Rio não foi casual. O estado é o principal reduto eleitoral da família Bolsonaro, enquanto Copacabana já se consolidou como um dos grandes palcos dos atos do bolsonarismo.
O discurso de Flávio também deixou evidente um dos desafios de sua campanha: ser herdeiro político de Jair Bolsonaro sem deixar de construir uma identidade própria.
No primeiro ato, o candidato defendeu o pai, atacou Lula e colocou segurança e soberania no centro do discurso. A presença de apoiadores usando máscaras de Jair e Flávio Bolsonaro reforçou visualmente essa conexão.
Duas campanhas, duas estratégias
A largada revela uma diferença importante.
Lula tenta transformar experiência em autoridade.
Flávio tenta transformar legado em identidade.
O primeiro busca recuperar uma trajetória conhecida pelo eleitor. O segundo procura capitalizar uma marca política já consolidada.
A partir de agora, porém, começa a parte mais difícil: ampliar essas identidades para além dos eleitores já convencidos.
E é justamente aí que a eleição deve ser decidida.
A campanha começou. Mas, mais do que disputar quem consegue fazer o maior ato, Lula e Flávio terão de descobrir quem consegue transformar sua história em uma mensagem capaz de convencer quem ainda não escolheu lado





























