Crise no Tá na Mesa expõe falhas de gestão e coloca promessa de Lucas Ribeiro sob questionamento

O programa Tá na Mesa, uma das principais iniciativas de segurança alimentar do Governo da Paraíba, enfrenta uma crise que ultrapassa a questão administrativa e começa a atingir a confiança de beneficiários, comerciantes credenciados e da própria população. Restaurantes responsáveis pelo fornecimento das refeições relatam atrasos nos repasses financeiros e alguns estabelecimentos já anunciaram a suspensão das atividades diante da dificuldade de manter o serviço sem receber pelos contratos executados.

O problema ganhou ainda mais repercussão após o governador Lucas Ribeiro reconhecer publicamente a existência dos atrasos e afirmar que a situação seria solucionada em curto prazo. Em manifestação divulgada no início de junho, durante o programa Conversa com o Governador e reproduzida em suas redes sociais, Lucas afirmou que o Estado já havia adotado as providências necessárias e que os pagamentos seriam regularizados “ainda nesta semana”.

Segundo o governador, os atrasos estariam relacionados a questões burocráticas, documentação e comprovação dos serviços prestados. Ele afirmou que o tema havia sido tratado com a Procuradoria-Geral do Estado, Controladoria-Geral e a Secretaria de Desenvolvimento Humano.

O problema político para o governo, porém, está justamente na promessa com prazo definido. Ao estabelecer publicamente uma data para solução e não conseguir apresentar uma resposta efetiva no período anunciado, a gestão abre espaço para uma percepção de falta de controle sobre um programa considerado estratégico.

Em comunicação pública, especialmente quando envolve uma política social que atende pessoas em situação de vulnerabilidade, uma promessa com prazo determinado cria uma expectativa imediata. Quando a solução não acontece dentro do período informado, o efeito pode ser inverso: em vez de transmitir segurança, a fala passa a alimentar dúvidas sobre a capacidade do governo de administrar crises e cumprir compromissos anunciados.

Além do impacto político, existe uma consequência prática para os responsáveis pelos restaurantes. Os estabelecimentos precisam arcar com compra de alimentos, funcionários, fornecedores e despesas operacionais. Sem previsibilidade de pagamento, o programa que deveria fortalecer a segurança alimentar acaba transferindo parte do peso financeiro para pequenos empresários credenciados pelo próprio Estado.

A situação também ganha maior sensibilidade pelo momento em que a área de assistência social já enfrenta questionamentos públicos relacionados a investigações envolvendo outro programa alimentar estadual, o Prato Cheio, onde há denúncias em apuração sobre supostas irregularidades na aplicação de recursos. As investigações seguem em andamento e ainda não representam condenação dos envolvidos.

O caso do Tá na Mesa coloca um desafio direto para a atual gestão: mais do que anunciar a solução, será necessário demonstrar capacidade de execução, transparência e regularidade nos pagamentos. Em programas sociais, a população não avalia apenas o discurso oficial, mas principalmente se a política chega funcionando na ponta.

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