O recente episódio envolvendo a frustrada nomeação de Pedro Ivo para a Secretaria de Desenvolvimento Humano da Paraíba escancara um problema antigo — e persistente — da política brasileira: o loteamento de cargos estratégicos baseado exclusivamente em interesses partidários, deixando de lado qualquer critério técnico.
A Secretaria de Desenvolvimento Humano não é uma pasta qualquer. Trata-se de uma área sensível, responsável por políticas públicas que impactam diretamente a população mais vulnerável do estado. Ainda assim, o que se viu foi uma disputa aberta, sem disfarces, entre grupos políticos interessados não na gestão, mas no controle da estrutura administrativa.
Em nenhum momento do debate público vieram à tona questionamentos sobre a qualificação técnica do nome indicado. Não se discutiu experiência, capacidade de gestão ou conhecimento na área social. O foco foi outro: quem indicou, quem perdeu espaço e quem sairia vencedor no jogo político.
A própria indicação de Pedro Ivo, companheiro da então secretária Pollyanna, reforça a percepção de que a escolha estava muito mais ligada a um arranjo político — ou até mesmo pessoal — do que a um processo criterioso. “Deixar o marido no lugar” transmite, inevitavelmente, a ideia de continuidade de poder por conveniência, o que fragiliza ainda mais a credibilidade da decisão.
Por outro lado, o comportamento do Partido dos Trabalhadores no episódio também chama atenção. O partido, que historicamente sustenta o discurso de que alianças não são condicionadas à ocupação de cargos, demonstrou na prática uma postura diferente. Ao reivindicar abertamente a secretaria e pressionar por sua indicação, o PT expôs uma disposição clara de ocupar espaço no primeiro escalão — ainda que isso contrarie sua narrativa pública.
No centro dessa crise está o governador Lucas Ribeiro, que acaba sendo o principal fiador — e também o mais exposto — desse desgaste. A condução do caso levanta questionamentos inevitáveis: como um governador nomeia um secretário e, poucos dias depois, não consegue garantir sequer a posse do indicado? A sequência de nomeação, recuo e substituição transmite uma imagem de improviso, fragilidade e falta de articulação política.
A situação se agrava ainda mais com a declaração de Pollyanna, que atribui ao ex-governador João Azevêdo a responsabilidade por barrar a nomeação. Se verdadeira, a afirmação é grave: sugere uma interferência direta de um ex-chefe do Executivo nas decisões do atual governo. Se, por outro lado, trata-se de uma interpretação política, ainda assim revela um ambiente de desconfiança e disputa interna que compromete a estabilidade da gestão.
Em qualquer dos cenários, o resultado é o mesmo: um governo que aparenta não ter controle pleno sobre suas decisões estratégicas, enquanto aliados disputam espaços como peças de um tabuleiro eleitoral.
No fim, quem perde não é apenas um grupo político ou outro — é a própria administração pública. Quando cargos são tratados como moeda de troca, e não como instrumentos de gestão, a eficiência do Estado fica em segundo plano. E isso, inevitavelmente, chega à ponta: o cidadão.





























