Suplente “desconhecido” de Efraim Filho, paga boleto de 51 mil para senador. Erick é investigado por lavar dinheiro de Careca do INSS

Um pagamento de R$ 51 mil registrado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) colocou o nome do senador Efraim Filho no contexto de uma investigação maior conduzida pela Polícia Federal sobre fraudes bilionárias no INSS.

O valor foi quitado por seu segundo suplente, o empresário e advogado Erik Janson Vieira Monteiro Marinho, que é alvo direto da Operação Sem Desconto — investigação que apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

Segundo as informações reveladas, o boleto estava em nome do senador e foi pago por Marinho, fato que aparece em relatório de inteligência financeira.


O pagamento e a versão do senador

Procurado, Efraim Filho confirmou a operação e afirmou que o pagamento ocorreu a seu pedido, em razão da falta de saldo na data de vencimento.

De acordo com o senador, o valor se refere a uma obrigação pessoal e teria sido quitado pontualmente pelo suplente, sem relação com atividade política ou institucional.

Até o momento, não há qualquer investigação contra Efraim no âmbito da operação.


O suplente no centro da investigação

Figura pouco conhecida do eleitorado paraibano, Erik Marinho é empresário, advogado e não reside na Paraíba — apesar de ocupar a condição de segundo suplente da vaga no Senado.

Ele foi alvo de medidas cautelares autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, no contexto das investigações da Polícia Federal.

Segundo os investigadores, Marinho integra um núcleo empresarial ligado ao esquema que teria movimentado bilhões de reais a partir de fraudes contra aposentados do INSS.


Acusações: ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal aponta que o suplente teria atuado na ocultação e blindagem de patrimônio ligado ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

De acordo com a investigação, ele mantinha relação direta com empresas e pessoas vinculadas ao núcleo central da organização criminosa.

Essas empresas apresentariam características típicas de estruturas usadas para esconder bens, como capital social reduzido e aquisição de ativos de alto valor.


O “elo do jatinho”

Um dos pontos mais sensíveis da apuração envolve o uso de aeronaves.

Empresas ligadas ao suplente — registradas em nome de sua esposa — teriam sido utilizadas para adquirir e movimentar aviões associados ao grupo investigado.

Uma dessas aeronaves, avaliada em cerca de R$ 2,8 milhões, aparece como peça-chave no suposto esquema de blindagem patrimonial.

Em diálogos analisados pela PF, o próprio “Careca do INSS” teria se referido a Marinho como “parceria jatinho”, indicando sua atuação na negociação e gestão desses ativos.


O esquema do INSS

A Operação Sem Desconto investiga um sistema de fraudes baseado na cobrança irregular de mensalidades associativas de aposentados, com prejuízos estimados em bilhões de reais.

O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado como figura central da estrutura, que envolveria operadores financeiros, empresas de fachada e movimentação de bens para ocultação de patrimônio.


Efraim fora do foco da investigação

Apesar da ligação política com o suplente, o senador Efraim Filho não é alvo das investigações.

Seu nome aparece apenas em razão da relação institucional com Marinho e, mais recentemente, pelo pagamento identificado no relatório do Coaf.

Até agora, não há indícios formais que vinculem o parlamentar ao esquema investigado pela Polícia Federal.


Um caso que mistura política, dinheiro e risco de desgaste

A combinação de fatores — um suplente com alto patrimônio, fora do estado, envolvido em investigações sobre lavagem de dinheiro, uso de aeronaves e um pagamento direto a um senador — transforma o episódio em um caso de forte repercussão política.

Embora não haja acusação contra Efraim Filho, o episódio amplia o nível de exposição pública e o potencial de desgaste por associação em um momento de movimentação eleitoral no país.

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