O caso Jhony Bezerra: quando a base aliada começa a rachar…

A política costuma ser generosa com os vencedores, mas implacável com aqueles que, mesmo sem ganhar, demonstram força real. É nesse ponto que se encontra hoje o médico Jhony Bezerra, um dos quadros mais competitivos revelados recentemente pelo campo governista na Paraíba — e, paradoxalmente, um dos que aparentam maior desgaste dentro do próprio grupo.

Aliado histórico do governador João Azevêdo, Jhony construiu sua trajetória política dentro do PSB, partido do governador, tendo ocupado a estratégica Secretaria de Saúde do Estado. Em 2024, aceitou um desafio que poucos topariam: disputar a Prefeitura de Campina Grande, reduto historicamente dominado pela família Cunha Lima. O resultado, embora não tenha sido a vitória, foi politicamente expressivo.

Jhony saiu de irrisórios 2% nas intenções de voto para levar a eleição ao segundo turno, enfrentando o atual prefeito Bruno Cunha Lima. Em qualquer leitura honesta do cenário político paraibano, trata-se de um feito relevante — especialmente em Campina Grande, o segundo maior colégio eleitoral do estado.

Diante disso, causa estranheza o desprestígio que o médico vem enfrentando dentro do mesmo grupo que o lançou, apoiou e se beneficiou de seu desempenho eleitoral.

A saída do PSB: traição ou sobrevivência política?

Nos bastidores, a explicação mais recorrente aponta para a saída de Jhony do PSB. Há quem diga que João Azevêdo teria interpretado o movimento como um gesto de ingratidão ou até de covardia política. Mas essa leitura ignora um elemento central da política brasileira: viabilidade eleitoral.

Jhony Bezerra mira agora uma candidatura a deputado federal. Permanecer no PSB, partido que não dispõe de uma “calda partidária” robusta para a Câmara Federal na Paraíba, significaria, na prática, disputar uma eleição com chances mínimas — independentemente de densidade eleitoral própria. Em outras palavras, seria pedir que Jhony sacrificasse seu capital político em nome de uma fidelidade que não garantiria retorno algum.

A pergunta que se impõe é simples:
é razoável exigir lealdade absoluta quando o projeto coletivo não oferece condições reais de crescimento individual?

A aproximação com Cícero Lucena e o jogo de 2026

Outra hipótese que circula com força nos corredores da política é a aproximação de Jhony Bezerra com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. Cícero, como é público e notório, se movimenta para disputar o Governo do Estado em 2026, em rota de colisão com Lucas Ribeiro, nome ungido por João Azevêdo para a sucessão.

Nesse tabuleiro, Jhony passa a ser visto não apenas como um aliado que mudou de partido, mas como um possível ativo eleitoral disputado por campos opostos dentro do mesmo agrupamento político. E, na lógica do poder, aliados que demonstram autonomia costumam incomodar mais do que adversários declarados.

O risco de empurrar um aliado para fora

O ponto central dessa discussão não é apenas Jhony Bezerra. É o recado que se envia à base aliada. Campina Grande não é uma cidade qualquer: é estratégica, politicamente simbólica e eleitoralmente decisiva. Ter ali um nome competitivo, testado nas urnas e com recall recente, é um ativo que qualquer grupo político racional deveria preservar.

Ignorar, isolar ou minimizar Jhony pode produzir um efeito colateral perigoso: empurrá-lo definitivamente para fora do campo governista — ou, no mínimo, reduzir seu engajamento em projetos que não o incluam como protagonista.

A política é feita de gestos, mas também de pragmatismo. E talvez a maior pergunta que reste seja esta:
o grupo liderado por João Azevêdo pode se dar ao luxo de perder um nome que provou, nas urnas, que tem força real em Campina Grande?

Mais do que um caso individual, o episódio Jhony Bezerra pode ser o primeiro sinal visível de que a base aliada começa a testar seus próprios limites. E, na política, fissuras ignoradas raramente se fecham sozinhas.

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