A Petrobras anunciou nesta segunda-feira, 28 de julho de 2025, uma redução média de 14% no preço da molécula de gás natural vendido às distribuidoras, com vigência a partir de 1º de agosto .
Motivações da redução
De acordo com a empresa, a revisão trimestral do valor se deve à queda de 11% no preço de referência do petróleo Brent, combinado com a valorização de 3,2% do real ante o dólar. Essas oscilações econômicas reduzem o custo em reais da molécula de gás natural .
Histórico e impacto acumulado
Desde dezembro de 2022, o preço médio da molécula caiu aproximadamente 32%, considerando todos os efeitos acumulados até esta nova correção. Caso os prêmios por performance e incentivo à demanda, implementados pela estatal desde 2024, sejam completamente aplicados, a economia acumulada pode superar 33% dependendo das condições contratuais com cada distribuidora .
O que isso significa para os consumidores
Embora a queda do valor da molécula represente uma redução relevante, o preço final ao consumidor depende também de outros fatores, como:
• custo de transporte até as distribuidoras;
• estrutura de suprimento das concessionárias;
• margens comerciais;
• tributos federais e estaduais;
• no caso do GNV, os custos de revenda nos postos .
No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, a concessionária Naturgy estima os seguintes impactos tarifários a partir de agosto:
• 1,39% de queda no residencial (7 m³/mês);
• 1,45% no comercial (400 m³/mês);
• 3,73% nos postos de GNV;
• 3,47% nas indústrias (3 Mm³/mês) .
Já no interior do estado, os recuos chegam a 3,50% no residencial, 4,07% no comercial, 7,27% nos postos de GNV e 5,56% nas indústrias .
GNV: alternativa mais econômica
O GNV continua sendo uma opção competitiva para transportes — especialmente no Rio de Janeiro, que reúne cerca de 1,7 milhão de veículos convertidos e mais de 700 postos. Segundo a concessionária, o uso do gás natural pode gerar uma economia de até 50% em relação à gasolina ou etanol, além de desconto de 62,5% no IPVA .
Contexto mais amplo
Além dos contratos e reajustes, o setor enfrenta dificuldades como a elevada taxa de reinjeção de gás natural nos reservatórios de petróleo, que hoje supera 50% da produção total. Essa prática reduz a oferta de molécula para venda e pressiona os preços, um problema que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem criticado .
Silveira defende maior oferta interna para baixar os custos à indústria, mencionando que o Brasil paga tarifas mais elevadas em comparação a outros mercados como Omã — onde o gás custa até US$ 4 por milhão de BTU, contra cerca de US$ 14 aqui .
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Em resumo
• A Petrobras reduzirá em média 14% o preço da molécula de gás natural vendida às distribuidoras a partir de 1º de agosto;
• A decisão foi motivada pela queda do preço do Brent e valorização do real;
• Desde 2022, o acumulado de queda já é de cerca de 32%;
• O impacto no consumidor dependerá da empresa local e tributos incidentes;
• No Rio de Janeiro, a redução nas tarifas residenciais será modesta, mas segmentos como GNV e industrial sentirão maior efeito.